20090626

A Solidão



Sentir-se rejeitado
Olhar-se mal amado
E pensar em si a culpa, o pecado

Mas não ler no peito a causa, o motivo
De não haver ninguém consigo
Alguém onde chorar, um ombro amigo

Tristeza, penas, abandono
Perde-se a alegria de viver
A alma adoece
E o rosto desvanece
Na vida amargo sono
De uma noite que não quer amanhecer

Quando a amizade é apenas utopia
E o amor unicamente uma ilusão
Sufocam emoções em negro dia
Como um arrocho enforcando o coração

É um olhar que nunca acontece
É um sorriso que tarda em chegar
É um verbo que sofre negação
É uma dor que te cobre como um manto
E transforma o teu rio em mar de pranto
E te assombra esse fantasma, a solidão

Mas se dela desprenderes o olhar
E granjeares uma réstia de luar
Nem tudo está perdido, podes crer
Segura firme a chama que alumia
Pois dentro de ti tens o poder
De transformar a noite em pleno dia

(22.09.2008)

Publicado na Antologia "Entre o Sono e o Sonho" (25.07.2009)


Foto de Jorge Soares

Foto e Poema publicados em:
Momentos e Olhares (12.08.2009)
Intervalo para Café (29.09.2011)

Obrigada, Jorge!

18 comentários:

Sparking mind disse...

"Pois dentro de ti tens o poder
De transformar a noite em pleno dia"

Gostei, mesmo!
Sei que nem sempre deixo a minha marca pelos teus cantinhos.. mas não é por isso que deixo de "devorar" o que escreves. Gosto e gosto mesmo! :)

Jorge Freitas Soares disse...

Gostei .... é muito bonito... espero que não te importes se um destes dias ele aparecer a acompanhar uma das minhas fotografias

Jorge

Fa menor disse...

Sparking mind,
Obrigada!
Beijinho



Jorge,
Obrigada.
Está bem, um dia destes... então.
Depois permites-me que coloque aqui a fotografia...
Bjs

Graça Pires disse...

A solidão. A nossa solidão. A solidão dos outros...
Um abraço.

legivel disse...

...transformar a noite em pleno dia não é tarefa fácil para o comum dos mortais. Mas a convicção que pões nas tuas letras quase me levam a acreditar que tu és capaz.

Óptimo fim de semana!

Isabel José António disse...

Querida Amiga Fa menor,

Lindíssimo poema sobre a esperança e a solidão que por vezes, sobre todos se abatem.

Esperança que nos impele
Solidão que nos espreita
Tristeza que se expele
A frieza que nos enjeita

Mas se todos virmos bem
Quem será que se sente só?
Quem ficará sempre aquèm?
Que nos tratará como pó?

Que responsabilidade temos
Nas situações que criamos?
Porque não sabemos e não vemos
Tudo aquilo porque ansiamos?

Não há assim azares ou destinos
Nem meros acasos desafortunados
Nem homens com poucos tinos
Ou seres humanos deserdados

A vida é UMA SÓ e nela vivemos
O que fazemos nela se inscreve
E aquilo que nós mais tememos
É aquilo que nos vem em breve

Vivamos assim todos os dias
Com a mente do PRESENTE, AGORA
E participemos nas alegrias
Que construirmos hora a hora

Um grande abraço

José António

São disse...

O poema tocou-me muito por dois motivos: é bom, formalmente, e há muita afinidade com o conteúdo.

Abraço.

Fa menor disse...

Graça,
todos temos alturas de tudo...
Abraço.


Legível,
com algum esforço, somos sempre capazes de dar a volta por cima.
Bom fim de semana!


José António,
sim, "participemos nas alegrias
Que construirmos hora a hora"
Obrigada por tão belas palavras.
Abraço


São,
obrigada! Há sentires comuns ao mundo inteiro!
Abraço.

Metódica disse...

Fá Menor

Há quanto tempo :)

Adorei o poema, parabéns escreves muitíssimo bem, simplesmente adorei :D

"Pois dentro de ti tens o poder
De transformar a noite em pleno dia"
Temos sempre, basta querer ;)

Metódica disse...

Fá Menor

Eu tenho estado afastada da blogoesfera, só 'regrecei' à uma semana.
Mas claro que, agora que já estou de férias, irei aparecendo em qualquer um dos teus formatos ;)

tulipa disse...

Sentir-se rejeitado
Olhar-se mal amado
E pensar em si a culpa...

NUNCA tão poucas palavras quiseram dizer tanto em relação ao que sinto neste "momento" da minha vida...

Neste momento estou de repouso absoluto, mas não por estar de férias, mas sim doente, com uma Pneumonia aguda...situação complicada e que me assusta.

Tomara já Setembro, quando eu parto para uns dias de férias para repouso do bulício da cidade e da rotina de trabalho.

Beijos.
Boa semana.

Nuno G. disse...

nas tuas palavras encontramos sempre algo que nos identifica... vou passando. gostei!

(www.minha-gaveta.blogspot.com)

Å®t Øf £övë disse...

A solidão pode muitas vezes significar o bater no fundo do ser humano.
Bom fds.
Bjs.

Ana Martins disse...

Soberbo!!!
Com uma sonoridade perfeita e mensagem belíssima!

Beijinhos,
Ana Martins

Alexandra disse...

Muito, muito bonito!
Gostei muito de cá estar.


Beijinho.

avlisjota disse...

Boa noite lindo o poema! houvesse realmente sempre uma luzinha ao fundo do tunel para todos! E por vezes há a força, para transformar a noite em dia, mas só por vezes!

beijos e boa semana!

José

Jorge Freitas Soares disse...

Olá

Obrigado por me deixares utilizar o poema, é hoje, e claro que podes utilizar a fotografia, esta e todas as outras.

Beijinho
Jorge

Fa menor disse...

Obrigada, Metódica,
por apareceres e apreciares :)
Beijinho


Tulipa,
quem não tem momentos assim?
espero que já tenhas melhorado.
Muita força!
Bjs


Nuno,
há palavras que parecem escritas para nós...
Obrigada!


Å®t Øf £övë,
bem verdade!...
Bjs


Ana Martins,
sinto-me honrada :)
Obrigada
beijinhos


Alexandra,
Obrigada!
beijinho


José,
muitas vezes só a luz sendo acesa por outros... sozinhos não se consegue. Por isso façamos por sermos luz para os outros.
Obrigada
Bjs


Jorge,
:)
Eu é que tenho a agradecer.
A foto é belíssima...
Beijinho