20090903

Grito


[Edward Munch, O Grito]

Grito
Mas só me responde o eco.
Depois faço silêncio
Na escuridão.
Os sons abafados dos pensamentos
Surgem então como lamentos
Neste beco sem saída
Onde não sei ser chegada
Nem ponto de partida
Mas antes encruzilhada
De encontros
Desencontros
Desencantos
Ausências
Prantos…
Mas, ainda assim,
Vida.
É bebida de absinto
Que faz de mim labirinto
Charneca de desenganos
Claustros murados
Profanos
Um mundo de turbilhões
Ruelas de dor
Desalento
Velas rasgadas ao vento
Que sopra desilusões.
E grito
Mas só me responde o eco.

(08.08.2009)

Poema também editado em: Porosidade Etérea em 09.09.2009

16 comentários:

avlisjota disse...

Muito lindo este poema, Deves ser psicóloga, pois demontras aqui grande empatia e capacidade de interiorização...
Realmente o grito de Munch é um desespero, a intensidade e a direcção das pinceladas a cor demonstram bem o estado psiquico do autor...

Fica bem

José

pin gente disse...

gostei imenso, fá!
que fazer quando não nos ouvem?
ouvi os teus gritos
e vim dar um abraço
luísa

Isabel José António disse...

Querida Amiga Fa menor,

Desespero tornado poema e muito bem. Parabéns.

Porquê o desalento e a solidão
Quando nunca estamos sozinhos?
Porquê tanta dor no coração
Se recusamos todos os miminhos?

Porque não nos conhecemos melhor?
Porque tanto desespero e agonia?
E se ouvissemos o nosso Eu interior
Que é a maior fonte da Alegria?

Ouve-te a ti mesmo ò Ser Humano
Dentro de ti está a divindade
Rompe com tudo o que é profano
Procura em ti a eterna verdade

Um abraço

José António

antonior disse...

Quando gritamos para o espaço não há eco, nem resposta. Se gritarmos para o Céu, ouvimos a resposta dentro de nós. Quando gritamos para dentro de nós criamos cicatrizes que nunca foram feridas.

Munch gritou para dentro da tela e ela devolveu-lhe o grito. Então gritou para todo o lado.

São disse...

...e, por vezes, nem o eco!

Tantas vezes, só as lágrimas...

Um abraço.

mfc disse...

Estamos isolados na nossa solidão...

Vieira Calado disse...

Pois...

Mas às vezes nem o eco rsponde...

Cumprimentos meus

ADiniz disse...

Bom dia Fá ...

Esta tela lembra-me um texto de Fernando Pessoa

"Não posso evitar o ódio que têm meus pensamentos de ir até o fim: a respeito de uma simples coisa, surgem dez mil pensamentos e milhares de interassociações com esses dez mil pensamentos, e careço de vontade de eliminá-los ou detê-los, nem tampouco de reuni-los num pensamento central, onde os seus pormenores sem importância, mas associados, podem se perder. Introduzem-se em mim: não são pensamentos meus, mas pensamentos que passam através de mim. Não pondero, sonho; não me sinto inspirado, deliro".

Dois grandes artistas, Munch e Pessoa, eternos questionadores do universo do inconsciente.
Bjs a vc e uma ótima semana como a lua cheia, brilhante.

Gui disse...

Magnífico este poema. Quantas vezes temos o eco como resposta aos nossos gritos. O eco, nada mais. E se algumas vezes é um som que se torna agradável aos nossos ouvidos, outras vezes faz-nos doer a alma. É a diferença entre estar só a a solidão. Um beijo grande.

Graça Pires disse...

"Os sons abafados dos pensamentos":
os gritos da solidão...
Gostei do poema.
Beijos.

teresa disse...

e as vezes bem apeteçe gritar ,

gritar , gritar , e gritar e ter só o eco como resposta .

lindo poema amiga.
beijinhos

Princesa disse...

Boa noite
obrigado pela visita

Não tenho certeza
se fiz tudo que devia
Mas tenho certeza que fiz
o mais importante
que lembrei-me de você!

Bom fim de semana
Beijinhos

Nuno G. disse...

eu sou o eco do teu grito e grito: BELO!

(www.minha-gaveta.blogspot.com)

Fa menor disse...

Há gritos que devem ser exteriorizados mesmo que só o eco nos responda...
pois como diz o Antonior
"Quando gritamos para dentro de nós criamos cicatrizes que nunca foram feridas."

Gostei muito dos vossos ecos!

Beijinhos

Å®t Øf £övë disse...

Fá,
O grito muitas vezes liberta a alma. Por isso não há nada como gritar, porque a vida é um grito.
Bjs.

Fa menor disse...

Quando o grito se quer libertar, nada mais há a fazer que deixá-lo sair... se não fica a calar por dentro, tornando tudo em carvão... negro.

Bjs