20101014

Onde está o Pão?



Sem pão e sem amor
Sem sequer uma côdea com bolor
Que lhe caia na mão
Aos tropeções por essa vida
Sem esgar na noite entorpecida
À espera de aquecer o coração
Anda perdida qual mendigo
Muita gente em nosso mundo
Matando o ar em campo nu de trigo
Que já foi seu e que ardeu

Quem lhe roubou o seu pedaço de pão
Quem lhe sacou o coração e o pisou
Fingindo bem-fazer
Dizia que era dia e fez a noite
E continua airosamente a sussurrar
Que o pão dos outros é ateu
Que só quem o tem o mereceu
E que o dia de mais pão há-de chegar

Mas eu grito enquanto a voz não me doer
Enquanto a noite escura estiver
Enquanto eu vir ainda um pouco mais além:
Anda muito ladrão por aí com cara de gente-bem.

(29.08.2010)

Também publicado em Porosidade Etérea


Dia 16 de Outubro:
Dia Mundial da Alimentação
(este ano dedicado à fome e ao direito à alimentação)

17 de Outubro:
Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza



13 comentários:

AC disse...

Nunca é de mais salientar determinados factos.
Nunca é de mais clamar por mais justiça e pão.
Nunca é de mais clamar pela dignidade.

Beijo :)

De Amor e de Terra disse...

E é bom falar, gritar talvez, a ver se essa distância diminui,pois só a temos visto a aumentar...
Bj
Maria Mamede

O Puma disse...

Talvez um dia se levantem do chão

Luís Coelho disse...

O teu canto e o nosso grito por mais paz, amor e pão.
O mundo continua a queimar as searas de pão e os corações aflitos morrendo abandonados sem nada.
Criou-se uma sociedade vazia em que os políticos prometem mas não cumprem e apenas se protegem a eles e aos amigos.
Caminhamos ainda para a parte pior.
Destruíram a família e ensinam o desprezo pelos princípios básicos que nos têm orientado.

DE MÃOS DADAS disse...

Quem ama sempre grita pela igualdade.
Utilia

Salete Cardozo Cochinsky disse...

Belíssimo!
Um BLOG agradável como a música!
Harmonia, sinfonia, suavidade que faz desejar dançar.
Parabéns
Salete

Angela Reis (Luna Luz) disse...

Belo poema, assim como belos são seus gestos. Também gosto de escrever poemas sociais, uma forma que encontro de clamar, chamar atenção para o que precisa ser olhado com mais atenção, respeito e carinho.

bjos. Jesus te abençõe! =*

avlisjota disse...

Ola Fá

Começo por te desejar uma boa semana e também dar-te os parabéns por este excelente poema! Deves, devemos todos gritar e continuar a vêr um pouco mais além.

Olha eu já li tantas vezes este poema que já o sei de cor! :-)

Bjs

José

Nilson Barcelli disse...

E há tantas formas de roubar o pão dos outros...
Desde assaltar a casa do vizinho ou um banco, até não pagar os impostos ou trabalhar e receber o subsídio de desemprego ou de baixa por doeça...
Em qualquer caso, com ou sem roubos, o teu poema é excelente.
Querida amiga, boa semana.
Um beijo.

Mar Arável disse...

Não basta ter razão

nem só o coração

é preciso acção

contra a indiferença

© Piedade Araújo Sol disse...

o poema é actual e está muito bom.

bonita partilha.

beij

gabriela r martins disse...

nunca é demais desmascarar as injustiças ,porque

"água mole em pedra dura ,tanto bate até que fura"



.
um beijo

Baila sem peso disse...

E este grito pelo pão
corre pelo mundo inteiro
com tanta dor no coração...
alguém o oiça, pois então!...

Bjinho