20101103

(S)Em Dor




Procurei e encontrei a cura para a dor. E cheguei até à cura pelo coração: o coração não dói. Está provado cientificamente que o coração não dói. Sente dor mas não dói.
O que dói é o que o envolve. Por isso a dor é nervosa. E psicológica: passa pelo pensamento. A dor é nervoso-psicológica: os nervos levam-na ao cérebro – ao pensamento.
Pensar na dor faz doer.
Há, por isso, dores do cérebro, não do coração – o coração não pensa. Não pensa: não dói. Só sente dor, mas não dói. Dói o que pensa. E o que pensa é o cérebro. É, então, o cérebro que dói. Ora, se as dores são do cérebro, e se se procura a cura para a dor, essa cura passa pelo cérebro. Nada mais fácil de curar: tira-se a dor do cérebro! Como? Tira-se o cérebro.
Sem coração não se vive, que é o órgão vital do corpo.
Mas pode bem viver-se sem cérebro(!).
E, assim, jamais haverá dor.
Com o coração só no comando poder-se-á viver. E como o coração não dói, nada mais em nós poderá doer.

M. Fa. R. – 2010-07-09

13 comentários:

AC disse...

Quando nada doer, já não há razões para viver...

beijo :)

DE MÃOS DADAS disse...

Bem... vamos dando de comer á dor senão morre-se.
Beijinhos

poetaeusou . . . disse...

*
como te compreendo,
como estou contigo !
,
conchinhas,
,
*

Baila sem peso disse...

Ai, amiga musical...
tenho muita vez dor no coração
não, não bem no coração
é na alma que me dói
que habita o meu ser
dá voltas pelo cérebro para se conhecer
e volta ao coração para se envolver...
ai, menina musical...
ficaste por mim,
na mesma
sem nada entender?!!!:)
Mas acredita, sim...
sei que dentro d`ele
existe o dom de saber viver!:)

tem um restinho de domingo feliz
eu vou ver que meu coração me diz :)

Beijinhos com alma de carinhos

RETIRO do ÉDEN disse...

Estou plenamente de acordo.
Sou muito pragmática, racional, por isso consigo entender o que aqui está dito.
Mas...também muito piegas, tenho uma sensibilidade à flôr da pele e comovo-me com tudo.
É uma dualidade que nem eu própria me entendo!
bjs.
Mer

O Árabe disse...

A imagem é chocante. E o texto é ótimo! :) Boa semana, amiga.

Vanuza Pantaleão disse...

É verdade, Fa!
O coração não dói, cientificamente falando, mas ele é o símbolo do sentimento, ele é o centro máximo dos nossos pesares e a vida passa por ele como todo o nosso sangue. O cérebro "grita", mas o coração se ressente mudo, calado.
Adorei!!!

Nilson Barcelli disse...

Segui o teu conselho: retirei o cérebro.
Mas olho para o amontoado de letras e não percebo o que ecreveste...
Querida amiga, boa semana.
Beijos.

Vieira Calado disse...

Não dói...

mas há coisas que doem ao coração...

Beijinos

ADiniz disse...

Tem chá verde com torta de limão e presente pra vc
Embrulhados com coração.
Bjinhos.

avlisjota disse...

Olá Fa

Acho que te compreendo; o coração não tem dor, mas o cérebro
sim. (psicologicamente falando)
Acho também que existem dois tipos de dor; a dor do pensar e a dor do não pensar. Se pensarmos doí (e no estado em que o país está). Se não pensarmos até faz faísca... :-)
Impõem-se então a pergunta. Podemos viver sem pensar?
Podemos a não é a mesma coisa. :-)

Bjinhos

José

Gavine Rubro disse...

Se pedirmos a uma criança que não pense num elefante azul, será uma antítese, porque quando nos dizem para não pensar em algo, aí é que esse «algo» não nos sai da cabeça. Dito isto, não devemos comunicar ao nosso cérebro que não pense, que não sinta dor, porque aí os nervos vão sempre buscar de novo a dor, nem que seja a memória dela, que pode doer também. Ora, a solução passa pela ocupação, pela substituição da dor e do pensamento da dor por acções e pensamentos diferentes, de forma a que não sobre tanto espaço para a latência de uma melancolia que acaba adormecida.

Já F. Pessoa dizia, «se o coração pensasse, morria»
mente mais a mente que um coração descontente.

Fá, finalmente conheci este cantinho, e gostei muito.
Agradeço o comentário (http://texto-al.blogspot.com/2010/06/laconismos-poema-inedito-de-gavine.html) já de longa data.

Uma vénia
longa vida à poesia,

Gavine rubro
www.celularubra.blogspot.com

Fa menor disse...

Gavine,
obrigada pela visita e bela opinião.
Realmente, quando temos uma dor (principalmente daquelas do coração, ou melhor, da alma) o remédio passará por não ocupar o pensamento com isso, substituir esses pensamentos por outras coisas que dêem prazer pensar e fazer.

:)