20111026

Enfim




Chove. Enfim.
O guarda-chuva, perdido no fundo da mala, há muito que esperava para se abrir. Abriu-se. Enfim.
Tremeu. Abanou. Brrr! Quase se virou ao contrário.
Suportou, enfim, a dança dessa chuva tocada pelo vento numas cordas desafinadas, tão mal dedilhadas... e a um ritmo descompassado, de acordes tão imperfeitos quanto desvairados.
Enfim. Chove.
Quem nos acode?

20111003

Pausa




A borboleta branca volteia sob um sol afogueado.
É de dor o murmúrio amarelo, incendiado, do céu.
Geme o dia de outono descontente, porque a vibração soalheira é fria de tão quente.

A borboleta retorna volta e meia, indiferente, sobre os panascos ressequidos.
Doridos estão os pés; ardidos são os olhos; fugidos vão os sonhos.

E a borboleta branca pausa na canícula,
à espera que a empurre, fresca, um manso sopro, só que seja, de brisa.