Foto: Eider Oliveira
Ao cair da tarde
As ondas do mar transformam-se em gaivotas
A poesia veste o areal
E a praia converte-se
Obedecem os barcos ao chamamento do mar
E as redes mudam-se em peixes a pular
Movem-se em corrupio para ver
Pessoas sôfregas em alvoroço
E uns compram a dez outros a cem
Que esta poesia também é para comer
Entretanto ressoa o marulhar turbulento
E no lastro doirado estendidos
Plebeus panos sorridentes
De voluptuosos reflexos coloridos
Debaixo do azul reluzente
No oiro espelhado da areia
Constroem em risos castelos crianças
Vigiadas pelos olhares das sereias
E ora ao banho na hora
Da festa ondulante magia
No sal que jorra e sacia
Corpos e almas afora
Tinge-se em momentos de branco o céu
Quando as nuvens se enxameiam
E novamente de luz
Assim que elas se retiram
E é ao cair da tarde
Que as ondas do mar se transformam em gaivotas
Ao transfigurar-se o sol em bruma
E eu rendo-me à sonolência
Quando o mesmo bando
Se desfigura em espuma