30/12/2021

Dezembro

Dezembro é Natal. É frio, é Inverno, é neve: tudo é branco. Até parece que gelam as estrelas. Os dias são pequenos e também cheios de chuva. Mas depois do Natal os dias já começam a crescer. E chega o fim do ano num repente. E deseja-se cada vez mais o tempo quente.
M. Fa. R. (17.03.2009) 


21/12/2021

Oh, Jesus, Menino Deus


Oh, Jesus, Menino Deus, amado, 
Que nascestes indefeso no meio dos animais, 
Por eles aquecido, aconchegado; 

Quero pedir-Vos: 
Olhai por todas as crianças do mundo, 
Indefesas, a céu aberto, injucundo, 
Não por entre os animais, 
Mas à mercê de seres tais 
Sem calor afortunado, 
Que aos perigos estão votadas. 
 
Sempiterno, meu Senhor: 
Ouvi, neste mundo sem cor, 
Nem coração, nem amor, 
Os gritos que nos afogam. 
Misericórdia, meu Deus! 
 
Menino, por nós nascido, 
Tende compaixão deste mundo desunido, 
Desavindo, destroçado, 
Em vias de sufocado, 
E vinde! 
 
Nascei de novo agora, 
Nos corações atolados, 
Em esplendorosa aurora 
Queimai as ervas daninhas 
Que abafam estas florzinhas 
Sugando-lhes o ar sem dó. 
 
De mão dada à Vossa divina Mãe, 
Vinde socorrer quem grita  
Ou solta um suspiro em ai, 
E outros sem ais soltarem; 
 
Menino Deus, vos imploro, 
Tende piedade do povo agoniado, 
Do mundo por Vós amado, 
Mostrai-nos a Vossa Luz. 
 
Jesus, Menino Jesus, 
Eu sei que para nos salvar, 
Viestes morrer numa cruz, 
E que a nossa temos de carregar; 
Mas, meu Senhor, 
As crianças!... 
A essas trazei esperanças  
De que o amanhã brilhará! 
 
 
– Tende fé e animai-vos, 
Eu sempre ouvirei os ais 
Do povo ao deus-dará. 
Apegai-Vos a minha Mãe 
E lembrai-Vos que Ela vos disse: 
“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”  
 
– Obrigada, meu Senhor e meu Deus!


(Conversando com o Menino Deus  minha participação, a convite de Rosélia Bezerra. na interacção de Natal.)
link na imagem

Para todos um Santo e Feliz Natal !

16/12/2021

manifestis in rebus teneri


A vida encarrega-se de nos amarar.
A vida ou alguém,
a ver se nos proscreve em sortilégios de maresias.

Acorrentados de pés e mãos
Ficamos à mercê das águas
Que tanto nos podem beijar
Como bater com força
E afogar, ou quase.

E frustram-se as palavras, 
Rebentando apenas luzes delas 
A sombrejar os mares 
Nos rebordos da alma.

____________
*manifestis in rebus teneri significado

08/12/2021

Tal e actual perdigão


          _ortugal _erdeu o _ 

          não há _erda que lhe não venha!


03/12/2021

Presença

Acabou por se levantar a custo da noite mal dormida, de cabeça pesada e de olhos colados pela manhã de sono que o dia lhe vinha roubar. A cama, que lhe custara a moldar ao corpo, bem que lhe pedia agora para esperar, mas o despertador digital, que lhe sobrara na mesinha de cabeceira, acenava que não. O tempo não se compadecia com esperas. Quão complicado de rodar a surpreendia, tantas vezes, o filme da vida! O mundo fazia-a correr, girar, muitas das vezes, sem indicar bem para onde ir. A vida dava-lhe voltas e trocava-lhas, sem contemplações pelo que ela pudesse sentir! Só um grande amor à vida era o seu companheiro das horas insubmissas, que o mundo nunca lhe tinha conseguido tirar. Com aquele amor fazia-se de forte na fraqueza que ocasionalmente a apertava. E nunca tinha deixado perder as esperanças de que dias luminosos pudessem chegar. Farta andava de calcorrear ruas, umas apinhadas de nada, outras vazias de tudo, outras com tudo e mais nada. Todas elas lhe sugeriam, pediam até, que era preciso ainda mais amar. E os sonhos sempre lhe voaram em liberdade. Eram gaivotas que não tinha deixado meter na prisão.
Por isso, não, não podia dormir quando a justiça social se faz ausente. (M.Fa.R. - 14.05.2010)

30/11/2021

O que dói



- Amooor, chega aqui!

- Que aflição é essa, homem?

- Oh amor, onde é que estiveste tanto tempo?

- Ora, já te fiz falta?

- Não sabia de ti… e perguntar não ofende.

- Sabes que não gosto que me controles!

- Ui! Gosto tanto quando te irritas!

- És um chato...

- Vá lá, chega cá...

- Que foi agora?

- Hum! Estás coradinha… cheirosinha… e, apetitosamente, és minha.

- Eu sei que sim.

- Mas que arisca que te finges… ou é da minha vista?

- Pois… tua sou, mas sou mais eu!

- Olha, estás a ficar muito cheia de ti!

- Não, enganas-te, estou cheia de ti!

- Que disseste?

- Que se amanhã não chover, vai ser um dia bonito.

- Mas o que é que tens? Não te estou a entender.

- Mas a verdade há-de vir à luz… vais só ver!

- A verdade, amor, é que vai doer.

- Sim, amor… mais do que amar, dói viver.


M. Fa. R. (18.11.2009)

23/11/2021

Moldura Matinal



Leve é o acordar na vegetação por entre aromas molhados de burganiça e sabugueiro. 
As lágrimas de chuva suspendem-se nas ramadas, entrecortadas pelos reflexos dourados de um sol tímido. Os chilreios dos pássaros, de múltiplas linhagens, enchem o ar de colorido. Poisam, levantam, vestem as asas com a manhã e espanejam-nas sôfregas do dia. 
Este levanta-se devagar, acelerando à medida que o sol se vai abrindo num sorriso, ainda que inconstante e inseguro.
Um quadro interactivo a emoldurar no aro da janela, enquanto eu abro a boca num bocejo e esfrego os olhos piscos, para me revestir da vida, sempre renovada, que cada manhã me oferece.

20/11/2021

Aromas salgados




Nas dunas 
de cactos e hortelãs 
retenho ainda da vasta vegetação 
os aromas salgados 
bastante aspirados 
nas primeiras horas da manhã


19/11/2021

Aspirações


Hoje, eu aspirei a lagartixa...
mas mais do que isso,
depois aspirei também a cobra.

Não se deveria aspirar (a) certas coisas...

Não se deveria aspirar (a) certas coisas,
porque o pior vem depois:
e tirar o saco do aspirador?...


15/11/2021

Vvvvvvvuumm



Vvvvvvvuumm… vvvvvvvuumm… o vento veste um capote de voo agreste e vvvvvvvuumm, vai pelos ares levando consigo muito do que encontra pelo caminho: leva velho, leva novo; leva leve e pesado; curto, comprido, plano, esférico, canelado; seja palha, papel, bola, árvore ou telhado… 
Vvvvvvvuumm… o vento agitado numa garrafa no céu, e despejado, faz um vvvvvvuumm vvvvvvuumm tão apressado até ao chão, desalmado, e levanta no seu capote de voo o que estiver mais à mão desamparado.
Ah, desgraçado!

30/08/2021

Vento e Luz



(Imagem: Ma Dong Min)

Um vento meio silente sussurra
Nas pequenas horas da manhã
Quando a luz começa a arder
Por detrás das montanhas

Pelos umbrais rasteja
Em leve sopro
Nos dias em que a penumbra é chaga
E a luz é espada

Quem ousará abrir cortinas?
Quero ver o vento solto nos cabelos
E a luz uma dança nos olhares

27/08/2021

Buscai a claridade


Ao esvaecer das sombras
Esmorece o viço
Arrefece a dor
Ferve o frio
Cai a noite


*sugestão de leitura:(à sombra)

03/06/2021

Aleluia!



E eis que a vida inteira
Refloresce
O finito deu lugar à eternidade 
Perante o desconcerto do mundo


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