01/07/2026

Julho

(Jacquie Howard)

Julho é o mês [do preciosíssimo sangue] de Jesus. E das colheitas, das eiras, e de arrecadar no celeiro, a fim de ter pão para comer o ano inteiro. Há sol e abelhas com fartura; pelo que não é de descurar protecção à altura! Miúdos e graúdos absorvem a luz que se reflecte em si; e é algazarra e alegria nos seus trinta e um dias.
M. Fa. R. (17.03.2009)

30/06/2026

Espera... é Verão!


Encostado a uma esquina do bar, come, mais do que lambe, o corneto de baunilha com a sofreguidão da tarde quente. Com a sofreguidão de um primeiro gelado, de um primeiro dia de calor, de um primeiro dia de praia, de um primeiro dia de Verão. Senta-se no muro pequeno, à sombra, com os pés assentes no relvado, e olha em redor. Sabia-lhe bem aquela frescura, fresca e leve, suave como a brisa mansa que o beija e lhe sorri nos olhos.
Espera. Espera como quem espera por algo ou alguém. Talvez apenas espere as horas passarem. Encosta o telemóvel ao ouvido.
Na outra esquina do bar, atrás dele, ela, vinda de dentro com uma chávena de café na mão, fala ao telemóvel.
Ele usa, no dedo anular da sua mão esquerda, uma aliança reluzente.
Ela guarda o telemóvel e volta para dentro.
Ele brinca com o telemóvel nas mãos e perde os olhos ao longe. Depois levanta-se e caminha. Recolhe-se ao interior da ambulância, estacionada junto às consultas externas, ao assento do condutor, e continua à espera. 

11/06/2026

Junho

 

Ana Nunes, A Ceifa

Junho, dizem, é mês de foice em punho. É, por isso, o mês de ceifar os pastos, os trigais, em alegres madrugadas, recheadas de frescura e de alvura. É bom poder comemorar Portugal e Camões; e os santos Populares. É tempo de folia. Veste-se roupa mais leve, pois chega o Verão lá pelo São João. Nos seus trinta dias, brotam flores que lembram o paraíso, e com elas vem o sorriso.

M. Fa. R. (17.03.2009)

Adenda em 12.06.2009:

Hoje, as andorinhas pequeninas fugiram do ninho do beiral do telheiro e voaram alegres pelo ar; os pintainhos espreitaram por debaixo da mãe, saídos das cascas; e os gatinhos brincam todos três no alpendre ao sol.

31/05/2026

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A deusa de Maio endereça o seu sopro às plantas e elas crescem; os rebentinhos aparecem em cachos de folhas novas; brotam as espigas e enchem-se de pão para o semeador. Alegra-se o coração ao sorriso do Criador. É o mês de Maria. O mês do coração. Mês dos amores. Há outras cores, outras flores, muitas flores… e abelhas.
Os dias começam a ser maiores e apetece a merenda. E o céu é todo azul.

M. Fa. R. (17.03.2009)

15/06/2025

Aos Santos Populares



Depois do Santo António e do São João
Que põem muita gente a bailar
Com o bom caldo verde, broa e a sardinha assada
E o suave cheirinho a manjerico no ar

Vem a fechar os festejos o São Pedro
Protector das viúvas e dos pescadores
Fazendo cair uma chuvinha quando quer 
Abre as Portas do Céu e acompanha as nossas dores
(Jo Ra Tone)

iniciativa:  Uma Quadra para um Santo, 2025
de Juvenal Nunes do blogue Palavras Aladas

17/12/2024

É Natal




Paz e Amor
Saúde, Felicidade e Alegria
Deseja-se a todos nestes dias
Pois despontou a aurora na noite
Nas trevas brilhou uma Luz
Para nos apontar o caminho
Rompeu as sombras do mal
Da Virgem nasceu Jesus
Num presépio pobrezinho
Desceu para nós – é Natal! 

Ao 4º Encontro Temático de Juvenal Nunes - Um Poema de Natal 

Publicado originalmente em 24/12/2010 em Nuvens de Orvalho (apagado), como resposta ao desafio de  Fábrica de Letras, Desafio de Dezembro
com Adenda em 31. 12. 2010:
Sai um ano e entra outro
Para muitos de modo banal
Mas cresça um ano de luz
Que em todo o ano Natal!



11/10/2024

Grilaria

 

1 grilo!

2 grilos; 3 grilos; 4; 5; 6; ... 10? ou mais, montes deles a saltar, ao abrir a cancela do jardim, nunca tal vi antes assim. 

É na garagem; das paredes ao telhado do sótão, pela noite dentro em estridente sinfonia, pior: tal gri-gritaria!

Dormir? qual quê?!... quem pode dormir com o som agitado destes mestres em grilaria?

Fazer o quê com tanto grilar? Quem pode aguentar toda a noite até ser dia?

Enorme cantoria: até na igreja - sacristia - em pedra negra de cantaria.

Grilos no jardim;

grilos no quintal;

grilos na minha cabeça...

Sacanagem!

E até no aeroporto no regresso da viagem.


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