03/06/2026

Aos Santos Populares



Depois do Santo António e do São João
Que põem muita gente a bailar
Com o bom caldo verde, broa e a sardinha assada
E o suave cheirinho a manjerico no ar

Vem a fechar os festejos o São Pedro
Protector das viúvas e dos pescadores
Fazendo cair uma chuvinha quando quer 
Abre as Portas do Céu e acompanha as nossas dores
(Jo Ra Tone)

de Juvenal Nunes do blogue Palavras Aladas

31/05/2026

Maio


 

A deusa de Maio endereça o seu sopro às plantas e elas crescem; os rebentinhos aparecem em cachos de folhas novas; brotam as espigas e enchem-se de pão para o semeador. Alegra-se o coração ao sorriso do Criador. É o mês de Maria. O mês do coração. Mês dos amores. Há outras cores, outras flores, muitas flores… e abelhas.
Os dias começam a ser maiores e apetece a merenda. E o céu é todo azul.

M. Fa. R. (17.03.2009)

17/12/2024

É Natal




Paz e Amor
Saúde, Felicidade e Alegria
Deseja-se a todos nestes dias
Pois despontou a aurora na noite
Nas trevas brilhou uma Luz
Para nos apontar o caminho
Rompeu as sombras do mal
Da Virgem nasceu Jesus
Num presépio pobrezinho
Desceu para nós – é Natal! 

Ao 4º Encontro Temático de Juvenal Nunes - Um Poema de Natal 

Publicado originalmente em 24/12/2010 em Nuvens de Orvalho (apagado), como resposta ao desafio de  Fábrica de Letras, Desafio de Dezembro
com Adenda em 31. 12. 2010:
Sai um ano e entra outro
Para muitos de modo banal
Mas cresça um ano de luz
Que em todo o ano Natal!



11/10/2024

Grilaria

 

1 grilo!

2 grilos; 3 grilos; 4; 5; 6; ... 10? ou mais, montes deles a saltar, ao abrir a cancela do jardim, nunca tal vi antes assim. 

É na garagem; das paredes ao telhado do sótão, pela noite dentro em estridente sinfonia, pior: tal gri-gritaria!

Dormir? qual quê?!... quem pode dormir com o som agitado destes mestres em grilaria?

Fazer o quê com tanto grilar? Quem pode aguentar toda a noite até ser dia?

Enorme cantoria: até na igreja - sacristia - em pedra negra de cantaria.

Grilos no jardim;

grilos no quintal;

grilos na minha cabeça...

Sacanagem!

E até no aeroporto no regresso da viagem.


24/02/2024

Sem concerto


Os tempos são de descalabro, não há concerto nem conserto enquanto o crime compensar, enquanto a sociedade e cada um olharem só para o seu umbigo e não fizerem a distinção entre o bem e o mal. 
Para as pessoas comuns, que já levaram e continuam a levar com lavagem cerebral por parte dos media, já é tudo normal e só correm para onde lhes apontarem, quais ratos levados ao precipício e crianças enfeitiçadas à caverna pelo flautista de Hamelin.


20/02/2023

De fugir

Um chão que nos foge dos pés 

Uma paisagem que nos treme nos olhos

Um mundo que não nos cabe nas mãos

 

Uma dor que nos chega

Uma palavra que nos parte

Um sorriso que nos morre

 

Uma voz abafada na garganta

Um olhar desfocado de cor

Um sentimento preso na pele

 

Uma ausência forçada

Uma estrofe falida

Uma ferida imunda

 

Uma boca faminta

Uma janela fechada

Uma tela deserta

 

Um abandono que mata

Uma flor de vida pisada

Um desrespeito que é faca

 

Um vento de nortada

Uma bomba perdida

Um grito de rajada

 

Um rol infinito

Um mundo enlouquecido

Um desamor a céu aberto

 

Escapar é imperativo

Desviar-se, fugir ao perigo que nos espreita o canto

É hora de calcorrear a vida mostrando que ela também é amar


(Publicado originalmente a 09/08/2011 no meu blogue Nuvens de Orvalho (apagado), para Fábrica de Letras e Palavras, poema 33)


12/09/2022

Mau(s) tempo(s), má fortuna, erros (nossos)…



Tantos puxões, abanões, para um lado e outro, trás! e frente, e verso, e vice-versa – perversos! –, rola e pula, baralha e volta a dar; uns a surtirem efeito, outros a nem por isso dar... 
É chuva, é vento, mau tempo, má fortuna, tormento. Erros nossos, ou maldade alheia. Tempestades no corpo e na alma, a todo o tempo, o tempo todo.  
Vidas assim, toda a vida, a vida toda – vivida, chovida, revirada, emaranhada, marada, transviada, desafortunada. 
Vidas desviradas, partidas, sofridas, desairadas: tal chapéu! acossado e degredado. 
Vidas enredadas como silvados ou trepadeiras embrulhados, que se fundem enrodilhados; e a cada puxão há troços que se partem e espinhos que se espetam e ferem a carne e a alma.
Estranhas formas que se nos desenham nos olhos e nas mãos... e na imaginação; que nos fazem, umas vezes, abanar, tropeçar, cair; e outras nos ferem até a levantar do chão. 
E restam, tantas vezes, a par com a (des)ilusão, riscos de sangue, alma rasgada; que o menor toque a frio, de qual pedra afiada ou de gelo, gera sobressalto e defesa, fuga, mais puxões e sangue; até que, de um jeito ou de outro, se aventure quem(?) a quebrar o círculo vicioso. 
Maus ventos no canal! Encostos ao silveiral.
Quem ousará semear o sol que nos poupe ao(s) mau(s) tempo(s)? 
Quem nos removerá os erros dos caminhos, para lá das passadas que ainda não foram dadas?...


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