08/08/2017

À compita


Pólen - atracção quase fatal.

– Chega-te para lá, quero pousar aí!

– Aqui não passas, eu estava cá primeiro!

 Arreda-te lá, que a flor dá para os dois.

– Chega-te mais, que isto não é tudo teu!

– Move-te, lesma!

– Não me empurres! Vai para outro lado...

... não te quero cá!
– Mas eu gosto deste pólen daqui.

– Olha que eu chateio-me! Queres apanhar?

– Ufa! Enfim só. Estava a ver que não me largava o pedaço!


17/04/2017

Aleluia!



E eis que a vida inteira
Refloresce
O finito deu lugar à eternidade 
Perante o desconcerto do mundo


22/09/2016

Felicidade é...


Deixar florir

                                          Felicidade é

                                          Deixar florir

Muito mais que partir
É ir e sobrevir
Adicionar e repartir
Prosseguir
Seguir com um sonho
Agir


                                                                                                            Sentir a vida
                                                                                                                            E sorrir


Adenda em 24/08/2020:
tradução de Ana Freire na publicação Let it bloom...


"Happiness is
Let it bloom
Much more than leaving
It's to go and to arise
It's add and share
It's to proceed
To follow like a dream
It's to act
To feel the life
And smile."

19/06/2016

Aspirações


Hoje, eu aspirei a lagartixa...
mas mais do que isso,
depois aspirei também a cobra.

Não se deveria aspirar (a) certas coisas...

Não se deveria aspirar (a) certas coisas,
porque o pior vem depois:
e tirar o saco do aspira-dor?...


29/08/2015

Aromas salgados




Nas dunas 
de cactos e hortelãs 
retenho ainda da vasta vegetação 
os aromas salgados 
bastante aspirados 
nas primeiras horas da manhã


07/07/2015

No meu silêncio, o mar.



No meu silêncio, o mar. E o marulhar das ondas. O areal, as conchinhas; as gaivotas e, também, andorinhas; o sol e o vento. E os meus pés, ao longo da orla da maré vaza, a enterrarem-se pela areia molhada, em passadas ligeiras, breves. Semi-breves e colcheias canta-me a espuma das ondas ao vir, aqui e ali, lamber-me as pernas. E eu, no meu silêncio, observo e medito. É Verão outra vez. É o mar outra vez. É a vida... outra vez: como barco que se faz ao mar e retorna à praia cansado da faina, mas nem sempre contente de pescado. Por vezes o cansaço é longo, mas o barco não encontrou o cardume que lhe enchesse as redes a gosto. Por vezes a vida geme de carregos, mas o que trazem não enche medidas nem tamanhos.

E vingam-se as toalhas garridas; e os guarda-sol coloridos; e os calções estampados, mais os biquínis reduzidos, com os seus donos e donas pelo areal ao comprido.

E o mar, sempre o mar, como pano de fundo. E eu, no meu silêncio, no meu mundo.



Adenda em 15/07/2019:
tradução de Ana Freire na publicacão It's Summer... again!...:


"In my silence, the sea. And the murmuring of the waves. The sand, the small shells; the seagulls and also the swallows; the sun and the wind. And my feet, along the edge of the tide, bury themselves in the wet sand, in short steps. Semibreves and quavers, sings the foam of the waves, coming along here and there, licking my legs. And I, in my silence, watch and meditate. It's summer again. It's the sea again. It is life... again: like a boat that goes to the sea, and returns to the beach tired of the task, but not always happy with the amount of fish catched. Sometimes the fatigue is long, but the boat did not find the shoal that filled the nets as it would need. Sometimes life groans with its loads, but what they bring does not fill measures or sizes.

And they all revenge, the vivid color towels; and colorful parasols; the flower patterns shorts, plus the reduced bikinis, with their owners along streched out in the sand.

And the sea, always the sea as a backdrop. And I, in my silence, in my world."

17/05/2015

Tal e actual perdigão


          _ortugal _erdeu o _ 

          não há _erda que lhe não venha!


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