20/07/2026

Música em Sol menor



As rolas: logo de madrugada são um sol-e-dó. Sem sol nem dó. 
Antes que o sol desponte já a música aponta sem dó, a despertar o sol da manhã, e não se pode dormir um pouco mais. São cantorias tais que se espalham nos raios penetrantes do dia. É uma alegria em sol e dó,  uma arrelia sem dó nem piedade.
Por caridade, alguém me espante essas aves que me espantam o jardim. Enfim, dormir não é para mim.


19/07/2026

Quando as ondas do mar se transformam em gaivotas



Foto: Eider Oliveira


Ao cair da tarde
As ondas do mar transformam-se em gaivotas

A poesia veste o areal
E a praia converte-se
Obedecem os barcos ao chamamento do mar
E as redes mudam-se em peixes a pular

Movem-se em corrupio para ver
Pessoas sôfregas em alvoroço
E uns compram a dez outros a cem
Que esta poesia também é para comer

Entretanto ressoa o marulhar turbulento
E no lastro doirado estendidos
Plebeus panos sorridentes
De voluptuosos reflexos coloridos

Debaixo do azul reluzente
No oiro espelhado da areia
Constroem em risos castelos crianças
Vigiadas pelos olhares das sereias

E ora ao banho na hora
Da festa ondulante magia
No sal que jorra e sacia
Corpos e almas afora

Tinge-se em momentos de branco o céu
Quando as nuvens se enxameiam
E novamente de luz
Assim que elas se retiram

E é ao cair da tarde
Que as ondas do mar se transformam em gaivotas
Ao transfigurar-se o sol em bruma
E eu rendo-me à sonolência
Quando o mesmo bando
Se desfigura em espuma



10/07/2026

Um Arco-íris e… um Fio-de-prumo


 

Já toda a gente viu um arco-íris. Se calhar, nem toda a gente viu um fio-de-prumo, ou sabe o que é. Eu já. Ambos. Já corri atrás de um arco-íris. Já tive um fio-de-prumo nas mãos. E tenho um fio-de-prumo na vida e um arco-íris no olhar.
Entre um arco-íris e um fio-de-prumo há uma diferença abismal. Ou nem tanto, nem tanto…
Um dia, um arco-íris encontrou um fio-de-prumo. Ou um fio-de-prumo encontrou um arco-íris. Encontraram-se um ao outro. Chega sempre algum dia em que os opostos se cruzam. Um arco-todo-redondo e um fio-todo-vertical. Um arco de luz de todas as cores e um fio descorado pela labuta serviçal. Cada um com as suas qualidades e as suas diferenças – bem diferentes, por sinal. Ou nem tanto, nem tanto…
Com um céu cinzento como pano de fundo, depois da chuva, o arco-íris aproximou-se de mansinho e brilhou. O fio-de-prumo espreitou: chovia ainda?... Ah, o que era aquilo?! Foi acostando o olhar…
— Olá, sou o Arco-íris… queres passear? As minhas cores podem elevar-te pelo ar.
Nunca tinha visto nada assim… o fio-de-prumo, sempre tão direito e sisudo, apoiou o queixo no parapeito da janela e começou a sonhar… podia, quem sabe, conhecer outros mundos, outros lugares… e, sem saber como, deixou-se levar. Correu o firmamento, subiu aos pontos cardeais… observou toda a esfera celeste, traçou-lhe círculos verticais; e pode constatar que há sempre mundos tão diferentes que se podem tocar.
E o arco-íris amou esse fio-todo-vertical em si suspenso, que lhe aprumava a postura acima da linha do horizonte.

08/07/2026

Escrever, ou Dormir


Gosto de escrever; e gosto (ainda mais) de dormir.
Escrever é-me fuga; dormir, também.
Escrever exige-me esforço, trabalho, suor... mas dá-me prazer ao brincar com as palavras; dormir relaxa-me o corpo e liberta-me a mente para voltar a outros suores, a outros prazeres.
Escrever pode levar-me ao sonho; mas dormir, também.
Se dormir me liberta, escrever não me escraviza. E se noites há sem dormir; dias, também, sem escrever. Quais serão piores?

Gosto de escrever; e gosto de dormir.

Pois: continuarei a escrever enquanto escrever me der prazer; tal como dormirei quando tiver sono...
Para além disso... nem tudo será realidade; e nem ficção, ou poesia, ou se verá à luz do dia.

01/07/2026

Julho

(Jacquie Howard)

Julho é o mês [do preciosíssimo sangue] de Jesus. E das colheitas, das eiras, e de arrecadar no celeiro, a fim de ter pão para comer o ano inteiro. Há sol e abelhas com fartura; pelo que não é de descurar protecção à altura! Miúdos e graúdos absorvem a luz que se reflecte em si; e é algazarra e alegria nos seus trinta e um dias.
M. Fa. R. (17.03.2009)

30/06/2026

Junho



Ana Nunes, A Ceifa

Junho, dizem, é mês de foice em punho. É, por isso, o mês de ceifar os pastos, os trigais, em alegres madrugadas, recheadas de frescura e de alvura. É bom poder comemorar Portugal e Camões; e os santos Populares. É tempo de folia. Veste-se roupa mais leve, pois chega o Verão lá pelo São João. Nos seus trinta dias, brotam flores que lembram o paraíso, e com elas vem o sorriso.

M. Fa. R. (17.03.2009)

Adenda em 12.06.2009:

Hoje, as andorinhas pequeninas fugiram do ninho do beiral do telheiro e voaram alegres pelo ar; os pintainhos espreitaram por debaixo da mãe, saídos das cascas; e os gatinhos brincam todos três no alpendre ao sol.

31/05/2026

Maio

.

A deusa de Maio endereça o seu sopro às plantas e elas crescem; os rebentinhos aparecem em cachos de folhas novas; brotam as espigas e enchem-se de pão para o semeador. Alegra-se o coração ao sorriso do Criador. É o mês de Maria. O mês do coração. Mês dos amores. Há outras cores, outras flores, muitas flores… e abelhas.
Os dias começam a ser maiores e apetece a merenda. E o céu é todo azul.

M. Fa. R. (17.03.2009)

15/06/2025

Aos Santos Populares



Depois do Santo António e do São João
Que põem muita gente a bailar
Com o bom caldo verde, broa e a sardinha assada
E o suave cheirinho a manjerico no ar

Vem a fechar os festejos o São Pedro
Protector das viúvas e dos pescadores
Fazendo cair uma chuvinha quando quer 
Abre as Portas do Céu e acompanha as nossas dores
(Jo Ra Tone)

iniciativa:  Uma Quadra para um Santo, 2025
de Juvenal Nunes do blogue Palavras Aladas

17/12/2024

É Natal




Paz e Amor
Saúde, Felicidade e Alegria
Deseja-se a todos nestes dias
Pois despontou a aurora na noite
Nas trevas brilhou uma Luz
Para nos apontar o caminho
Rompeu as sombras do mal
Da Virgem nasceu Jesus
Num presépio pobrezinho
Desceu para nós – é Natal! 

Ao 4º Encontro Temático de Juvenal Nunes - Um Poema de Natal 

Publicado originalmente em 24/12/2010 em Nuvens de Orvalho (apagado), como resposta ao desafio de  Fábrica de Letras, Desafio de Dezembro
com Adenda em 31. 12. 2010:
Sai um ano e entra outro
Para muitos de modo banal
Mas cresça um ano de luz
Que em todo o ano Natal!



11/10/2024

Grilaria

 

1 grilo!

2 grilos; 3 grilos; 4; 5; 6; ... 10? ou mais, montes deles a saltar, ao abrir a cancela do jardim, nunca tal vi antes assim. 

É na garagem; das paredes ao telhado do sótão, pela noite dentro em estridente sinfonia, pior: tal gri-gritaria!

Dormir? qual quê?!... quem pode dormir com o som agitado destes mestres em grilaria?

Fazer o quê com tanto grilar? Quem pode aguentar toda a noite até ser dia?

Enorme cantoria: até na igreja - sacristia - em pedra negra de cantaria.

Grilos no jardim;

grilos no quintal;

grilos na minha cabeça...

Sacanagem!

E até no aeroporto no regresso da viagem.


24/02/2024

Sem concerto


Os tempos são de descalabro, não há concerto nem conserto enquanto o crime compensar, enquanto a sociedade e cada um olharem só para o seu umbigo e não fizerem a distinção entre o bem e o mal. 
Para as pessoas comuns, que já levaram e continuam a levar com lavagem cerebral por parte dos media, já é tudo normal e só correm para onde lhes apontarem, quais ratos levados ao precipício e crianças enfeitiçadas à caverna pelo flautista de Hamelin.


20/02/2023

De fugir

Um chão que nos foge dos pés 

Uma paisagem que nos treme nos olhos

Um mundo que não nos cabe nas mãos

 

Uma dor que nos chega

Uma palavra que nos parte

Um sorriso que nos morre

 

Uma voz abafada na garganta

Um olhar desfocado de cor

Um sentimento preso na pele

 

Uma ausência forçada

Uma estrofe falida

Uma ferida imunda

 

Uma boca faminta

Uma janela fechada

Uma tela deserta

 

Um abandono que mata

Uma flor de vida pisada

Um desrespeito que é faca

 

Um vento de nortada

Uma bomba perdida

Um grito de rajada

 

Um rol infinito

Um mundo enlouquecido

Um desamor a céu aberto

 

Escapar é imperativo

Desviar-se, fugir ao perigo que nos espreita o canto

É hora de calcorrear a vida mostrando que ela também é amar


(Publicado originalmente a 09/08/2011 no meu blogue Nuvens de Orvalho (apagado), para Fábrica de Letras e Palavras, poema 33)


12/09/2022

Mau(s) tempo(s), má fortuna, erros (nossos)…



Tantos puxões, abanões, para um lado e outro, trás! e frente, e verso, e vice-versa – perversos! –, rola e pula, baralha e volta a dar; uns a surtirem efeito, outros a nem por isso dar... 
É chuva, é vento, mau tempo, má fortuna, tormento. Erros nossos, ou maldade alheia. Tempestades no corpo e na alma, a todo o tempo, o tempo todo.  
Vidas assim, toda a vida, a vida toda – vivida, chovida, revirada, emaranhada, marada, transviada, desafortunada. 
Vidas desviradas, partidas, sofridas, desairadas: tal chapéu! acossado e degredado. 
Vidas enredadas como silvados ou trepadeiras embrulhados, que se fundem enrodilhados; e a cada puxão há troços que se partem e espinhos que se espetam e ferem a carne e a alma.
Estranhas formas que se nos desenham nos olhos e nas mãos... e na imaginação; que nos fazem, umas vezes, abanar, tropeçar, cair; e outras nos ferem até a levantar do chão. 
E restam, tantas vezes, a par com a (des)ilusão, riscos de sangue, alma rasgada; que o menor toque a frio, de qual pedra afiada ou de gelo, gera sobressalto e defesa, fuga, mais puxões e sangue; até que, de um jeito ou de outro, se aventure quem(?) a quebrar o círculo vicioso. 
Maus ventos no canal! Encostos ao silveiral.
Quem ousará semear o sol que nos poupe ao(s) mau(s) tempo(s)? 
Quem nos removerá os erros dos caminhos, para lá das passadas que ainda não foram dadas?...


21/12/2021

Oh, Jesus, Menino Deus


Oh, Jesus, Menino Deus, amado, 
Que nascestes indefeso no meio dos animais, 
Por eles aquecido, aconchegado; 

Quero pedir-Vos: 
Olhai por todas as crianças do mundo, 
Indefesas, a céu aberto, injucundo, 
Não por entre os animais, 
Mas à mercê de seres tais 
Sem calor afortunado, 
Que aos perigos estão votadas. 
 
Sempiterno, meu Senhor: 
Ouvi, neste mundo sem cor, 
Nem coração, nem amor, 
Os gritos que nos afogam. 
Misericórdia, meu Deus! 
 
Menino, por nós nascido, 
Tende compaixão deste mundo desunido, 
Desavindo, destroçado, 
Em vias de sufocado, 
E vinde! 
 
Nascei de novo agora, 
Nos corações atolados, 
Em esplendorosa aurora 
Queimai as ervas daninhas 
Que abafam estas florzinhas 
Sugando-lhes o ar sem dó. 
 
De mão dada à Vossa divina Mãe, 
Vinde socorrer quem grita  
Ou solta um suspiro em ai, 
E outros sem ais soltarem; 
 
Menino Deus, vos imploro, 
Tende piedade do povo agoniado, 
Do mundo por Vós amado, 
Mostrai-nos a Vossa Luz. 
 
Jesus, Menino Jesus, 
Eu sei que para nos salvar, 
Viestes morrer numa cruz, 
E que a nossa temos de carregar; 
Mas, meu Senhor, 
As crianças!... 
A essas trazei esperanças  
De que o amanhã brilhará! 
 
 
– Tende fé e animai-vos, 
Eu sempre ouvirei os ais 
Do povo ao deus-dará. 
Apegai-Vos a minha Mãe 
E lembrai-Vos que Ela vos disse: 
“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”  
 
– Obrigada, meu Senhor e meu Deus!


(Conversando com o Menino Deus  minha participação, a convite de Rosélia Bezerra. na interacção de Natal.)
link na imagem

Para todos um Santo e Feliz Natal !

15/09/2020

Há receios à espreita das janelas


Há receios à espreita das janelas.

Mas olhando fora delas,
para além dos vidros ou da falta deles,
vemos sol, luar, passarinhos, flores...
Mas também chuva, ventos e todos os temores.

O mundo tem o seu papel – branco do dia
De cor e luz: alegria;
Tem o negrume da noite, 
Das nuvens cerradas de trovoada;
O colorido de sangue e pó, sem desvelo,
Sem dó.

E busca-se um mundo de bom sabor,
que nem sempre vemos sorrir.

Quando se impõe a deriva, 
logo a tontura;
e não se consegue ver
poesia em janelas, olhos de alguém.
A tormenta é quase sempre maior.

Mas temos sempre de emergir,
Recobrar o fôlego todos os dias.
Quando uma pequena aberta se vislumbrar,
consiga-se esquecer a dor e passar.

Cor, muita cor é que se quer,
De luz e flores preenchida.
Que de escuros cinzentos anda cheia a vida.

13/11/2019

manifestis in rebus teneri



A vida encarrega-se de nos amarar.
A vida ou alguém,
a ver se nos proscreve em sortilégios de maresias.

Acorrentados de pés e mãos
Ficamos à mercê das águas
Que tanto nos podem beijar
Como bater com força
E afogar, ou quase.

E frustram-se as palavras, 
Rebentando apenas luzes delas 
A sombrejar os mares 
Nos rebordos da alma.

____________
*manifestis in rebus teneri significado

07/09/2019

Buscai a claridade


 

Ao esvaecer das sombras
Esmorece o viço
Arrefece a dor
Ferve o frio
Cai a noite


*sugestão de leitura:(à sombra)

06/03/2019

Um brilho na chuva


A palidez das horas crava-se no dia molhado
Como quem se demora num gesto obtuso que arremeda o silêncio.
E o sol faz-se rogado, atordoado pelas nuvens
Carrancudas de chuva.

Há dias em que o sol só se abre em pequeníssimos raios
E falha uma luz maior a orientar o caminho.

Mas sabemos que o sol está lá
Todos os dias,
Por detrás do ar fechado,
Desdourado,
Sem se atrever a mostrar.

Como uma onda
No mar
Ou como as marés que influenciam a lua
Tudo tem um tempo.
E o tempo é para viver.

O tempo ajuda a moldar,
Desmoldar, refazer, levedar, dividir,
Repartir, adicionar e crescer,
Ainda que doa
A quem doer.

Mas haverá sempre uma outra qualquer onda por chegar.
Se não nos preparamos para o seu embate
Aprendendo a nadar ou tão-só a flutuar,
Ecoará a palidez
Roçagará o escarlate.

E também é preciso saber perder,
Para que não se prove o sabor amargo
Nem a árvore se despedace,
Pois não se pode contar só com vitórias.
Há que permanecer inteira, 
Nas cargas inglórias,
Com todos os ramos pegados ao tronco, à raiz.
Mesmo que nos viremos do avesso,
De cabeça ao fundo.

Depois, é levantar a cerviz
E retornar ao bulício do mundo.

Arriscar a semear um pouco de luz
E talvez colher algumas gotas de chuva luminosas.

Ainda que as nuvens se acerquem,
E em intempéries se alterquem,
Somando deslustro ao estrilho,
Não esmoreça o nosso brilho!

26/09/2018

Pousar


Toda a vida é feita de riscos,
rabiscos e outros iscos
e por vezes versos;
outras vezes silêncios apenas,
gritos mudos que entopem a voz
para lá dos poemas que assombram em voo.

E há palavras nascidas entre poeira e pedras,
sem a humidade requerida,
que depressa se transformam em pó que o vento leva.

Porque o mundo ao derredor é um vaso de barro fendido,
que não retém a água para a rega.

A lua vai e vem, enche e esvai-se;
com momentos luminosos
e momentos de penumbra;
mas volta sempre o seu brilho
embora às vezes por entre nuvens.

E há dias inteiramente noites que são tudo escuridão;
maré vaza, preocupação,
união ao mundo
que depõe o coração nas mãos
dormentes, doentes, cansadas, estropiadas,
dantes ensinadas,
que a custo reagem aos sonhos.

O tempo passa
e desgasta
como água de um rio correndo
corroendo tudo à sua passagem.

Rio que corre para o grande oceano,
com alturas de grandes caudais
e outras de seca extrema;
desfrutando da passagem por montes e vales,
pedras, pedregulhos, calhaus rolantes
e paisagens de planícies, praias
e campos verdejantes.

Assim, entre o voo e a noite escura 
tem de haver momentos de pousar. 
Aproveitar um fresco orvalho, 
visita do sonho que ainda emerge das mãos. 

E sempre recomeçar.
Adenda:

All life is made up of risks,
doodles and other baits
and sometimes verses;
other times only silences,
silent screams that clog the voice
beyond the poems that haunt in flight.

And there are words born between dust and stones,
without the required humidity,
that quickly turn into dust that the wind takes.

Because the world around is a cracked clay pot,
that does not retain water for irrigation.

The moon comes and goes, fulls and fades away;
with luminous moments
and moments of darkness;
but its brightness always comes back
though sometimes through clouds.

And there are days entirely nights that are all darkness;
ebb tide, worry,
union with the world
that deposits the heart in the hands
numb, sick, tired, crippled,
taught before,
that at cost, react to dreams.

Time goes by
and wears all out
like running river water
corroding everything in its path.

River that flows into the great ocean,
with high flow heights
and others of extreme drought;
enjoying the landscape through hills and valleys,
stones, boulders, rolling pebbles
and landscapes of plains, beaches
and green fields.

So, between the flight and the dark night
there must be times to land and forget the strain.
To enjoy a fresh dew,
visit of the dream that still emerges from the hands.

And always start again.

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