17/12/2024

É Natal




Paz e Amor
Saúde, Felicidade e Alegria
Deseja-se a todos nestes dias
Pois despontou a aurora na noite
Nas trevas brilhou uma Luz
Para nos apontar o caminho
Rompeu as sombras do mal
Da Virgem nasceu Jesus
Num presépio pobrezinho
Desceu para nós – é Natal! 

Ao 4º Encontro Temático de Juvenal Nunes - Um Poema de Natal 

Publicado originalmente em 24/12/2010 em Nuvens de Orvalho (apagado), como resposta ao desafio de  Fábrica de Letras, Desafio de Dezembro
com Adenda em 31. 12. 2010:
Sai um ano e entra outro
Para muitos de modo banal
Mas cresça um ano de luz
Que em todo o ano Natal!



11/10/2024

Grilaria

 

1 grilo!

2 grilos; 3 grilos; 4; 5; 6; ... 10? ou mais, montes deles a saltar, ao abrir a cancela do jardim, nunca tal vi antes assim. 

É na garagem; das paredes ao telhado do sótão, pela noite dentro em estridente sinfonia, pior: tal gri-gritaria!

Dormir? qual quê?!... quem pode dormir com o som agitado destes mestres em grilaria?

Fazer o quê com tanto grilar? Quem pode aguentar toda a noite até ser dia?

Enorme cantoria: até na igreja - sacristia - em pedra negra de cantaria.

Grilos no jardim;

grilos no quintal;

grilos na minha cabeça...

Sacanagem!

E até no aeroporto no regresso da viagem.


24/02/2024

Sem concerto


Os tempos são de descalabro, não há concerto nem conserto enquanto o crime compensar, enquanto a sociedade e cada um olharem só para o seu umbigo e não fizerem a distinção entre o bem e o mal. 
Para as pessoas comuns, que já levaram e continuam a levar com lavagem cerebral por parte dos media, já é tudo normal e só correm para onde lhes apontarem, quais ratos levados ao precipício e crianças enfeitiçadas à caverna pelo flautista de Hamelin.


20/02/2023

De fugir

Um chão que nos foge dos pés 

Uma paisagem que nos treme nos olhos

Um mundo que não nos cabe nas mãos

 

Uma dor que nos chega

Uma palavra que nos parte

Um sorriso que nos morre

 

Uma voz abafada na garganta

Um olhar desfocado de cor

Um sentimento preso na pele

 

Uma ausência forçada

Uma estrofe falida

Uma ferida imunda

 

Uma boca faminta

Uma janela fechada

Uma tela deserta

 

Um abandono que mata

Uma flor de vida pisada

Um desrespeito que é faca

 

Um vento de nortada

Uma bomba perdida

Um grito de rajada

 

Um rol infinito

Um mundo enlouquecido

Um desamor a céu aberto

 

Escapar é imperativo

Desviar-se, fugir ao perigo que nos espreita o canto

É hora de calcorrear a vida mostrando que ela também é amar


(Publicado originalmente a 09/08/2011 no meu blogue Nuvens de Orvalho (apagado), para Fábrica de Letras e Palavras, poema 33)


12/09/2022

Mau(s) tempo(s), má fortuna, erros (nossos)…



Tantos puxões, abanões, para um lado e outro, trás! e frente, e verso, e vice-versa – perversos! –, rola e pula, baralha e volta a dar; uns a surtirem efeito, outros a nem por isso dar... 
É chuva, é vento, mau tempo, má fortuna, tormento. Erros nossos, ou maldade alheia. Tempestades no corpo e na alma, a todo o tempo, o tempo todo.  
Vidas assim, toda a vida, a vida toda – vivida, chovida, revirada, emaranhada, marada, transviada, desafortunada. 
Vidas desviradas, partidas, sofridas, desairadas: tal chapéu! acossado e degredado. 
Vidas enredadas como silvados ou trepadeiras embrulhados, que se fundem enrodilhados; e a cada puxão há troços que se partem e espinhos que se espetam e ferem a carne e a alma.
Estranhas formas que se nos desenham nos olhos e nas mãos... e na imaginação; que nos fazem, umas vezes, abanar, tropeçar, cair; e outras nos ferem até a levantar do chão. 
E restam, tantas vezes, a par com a (des)ilusão, riscos de sangue, alma rasgada; que o menor toque a frio, de qual pedra afiada ou de gelo, gera sobressalto e defesa, fuga, mais puxões e sangue; até que, de um jeito ou de outro, se aventure quem(?) a quebrar o círculo vicioso. 
Maus ventos no canal! Encostos ao silveiral.
Quem ousará semear o sol que nos poupe ao(s) mau(s) tempo(s)? 
Quem nos removerá os erros dos caminhos, para lá das passadas que ainda não foram dadas?...


21/12/2021

Oh, Jesus, Menino Deus


Oh, Jesus, Menino Deus, amado, 
Que nascestes indefeso no meio dos animais, 
Por eles aquecido, aconchegado; 

Quero pedir-Vos: 
Olhai por todas as crianças do mundo, 
Indefesas, a céu aberto, injucundo, 
Não por entre os animais, 
Mas à mercê de seres tais 
Sem calor afortunado, 
Que aos perigos estão votadas. 
 
Sempiterno, meu Senhor: 
Ouvi, neste mundo sem cor, 
Nem coração, nem amor, 
Os gritos que nos afogam. 
Misericórdia, meu Deus! 
 
Menino, por nós nascido, 
Tende compaixão deste mundo desunido, 
Desavindo, destroçado, 
Em vias de sufocado, 
E vinde! 
 
Nascei de novo agora, 
Nos corações atolados, 
Em esplendorosa aurora 
Queimai as ervas daninhas 
Que abafam estas florzinhas 
Sugando-lhes o ar sem dó. 
 
De mão dada à Vossa divina Mãe, 
Vinde socorrer quem grita  
Ou solta um suspiro em ai, 
E outros sem ais soltarem; 
 
Menino Deus, vos imploro, 
Tende piedade do povo agoniado, 
Do mundo por Vós amado, 
Mostrai-nos a Vossa Luz. 
 
Jesus, Menino Jesus, 
Eu sei que para nos salvar, 
Viestes morrer numa cruz, 
E que a nossa temos de carregar; 
Mas, meu Senhor, 
As crianças!... 
A essas trazei esperanças  
De que o amanhã brilhará! 
 
 
– Tende fé e animai-vos, 
Eu sempre ouvirei os ais 
Do povo ao deus-dará. 
Apegai-Vos a minha Mãe 
E lembrai-Vos que Ela vos disse: 
“Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”  
 
– Obrigada, meu Senhor e meu Deus!


(Conversando com o Menino Deus  minha participação, a convite de Rosélia Bezerra. na interacção de Natal.)
link na imagem

Para todos um Santo e Feliz Natal !

15/09/2020

Há receios à espreita das janelas


Há receios à espreita das janelas.

Mas olhando fora delas,
para além dos vidros ou da falta deles,
vemos sol, luar, passarinhos, flores...
Mas também chuva, ventos e todos os temores.

O mundo tem o seu papel – branco do dia
De cor e luz: alegria;
Tem o negrume da noite, 
Das nuvens cerradas de trovoada;
O colorido de sangue e pó, sem desvelo,
Sem dó.

E busca-se um mundo de bom sabor,
que nem sempre vemos sorrir.

Quando se impõe a deriva, 
logo a tontura;
e não se consegue ver
poesia em janelas, olhos de alguém.
A tormenta é quase sempre maior.

Mas temos sempre de emergir,
Recobrar o fôlego todos os dias.
Quando uma pequena aberta se vislumbrar,
consiga-se esquecer a dor e passar.

Cor, muita cor é que se quer,
De luz e flores preenchida.
Que de escuros cinzentos anda cheia a vida.

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